5 fatos provando que ainda há racismo no Brasil

 

Apesar de todos os esforços desde 1888, quando a escravidão foi abolida no Brasil, a segregação e o preconceito ainda estão presentes em nossa sociedade.

Poucas pessoas realmente tentam entender o racismo institucional que os negros experimentam todos os dias no país, mas há vários fatos que sustentam esse cenário. Dê uma olhada em algumas das situações que comprovam a existência e persistência do racismo no Brasil:

1. Número de líderes políticos negros

Reserve um momento para pensar: quantos líderes políticos você conhece? É claro que há senadores como Benedita da Silva (RJ) e Leci Brandão (SP), mas ainda são minoria. De fato, apenas 3% dos políticos eleitos se declararam negros em 2014, de acordo com uma pesquisa do Congresso na Focus Magazine

. O que isso significa? Essa política nacional, especialmente o poder legislativo, ainda é dominada por indivíduos brancos. Isso é preocupante do ponto de vista institucional, pois seu desempenho ignora algumas experiências que somente a população negra poderia suportar.

Assim como há esforços para aumentar a participação das mulheres na política (ver a campanha do TSE em 2016), também deve haver um maior incentivo à democratização racista nesses ambientes de representação legislativa. Se há apenas 3% dos negros na política, segundo dados do IBGE, esse não é um percentual que realmente represente a sociedade.

. 2 Cortes racistas no censo do IBGE

Segundo o censo do IBGE, cerca de 46% da população brasileira é constituída de negros e mulatos. Este recenseamento explica-se, isto é, praticamente metade da população não se vê como branca. Esses dados são ainda mais significativos quando cruzados com os dados econômicos (veja a tabela aqui), pois a população que se declara negra ou parda também apresenta rendas menores em relação aos salários. Na prática, o Brasil ainda é um país de alta renda, e essa desigualdade também ocorre por meio de cortes raciais.

A partir desses dados, pode-se observar que os brancos têm maior vantagem em obter acesso ao mercado de trabalho, seja pelo treinamento que receberam, pela história familiar e social ou pelas oportunidades de trabalho às quais têm acesso.

. 3 Falta de pesquisadores negros

Outro fato que mostra o racismo no Brasil é a falta de pesquisadores negros nas principais universidades públicas e centros de pesquisa do país. Para testemunhar este fato, basta olhar para a maioria dos professores que você teve toda a sua vida e que você tem atualmente. Quanto maior o nível de educação, menor o número de professores negros.

Isso mostra que há menos incentivos e oportunidades para os negros comparecerem não apenas a faculdades, mas também a programas de pós-graduação, mestrado e doutorado. Isto confirma a concentração do ensino nas mãos dos pesquisadores brancos, que nem sempre estão conscientes de todas as questões raciais da sociedade brasileira

. Cotas e acesso ao ensino superior

A escassez de estudantes negros, pesquisadores e professores em figuras públicas federais contribuiu para a Lei Nacional de Cotas nº 12.711 / 2012, que estabelece a obrigação de reservar pelo menos 50% das vagas

A lei prevê que essas vagas sejam preenchidas de acordo com a distribuição de negros, pardos, indígenas e pessoas com deficiência nas diversas unidades da Federação. Por exemplo, se o IBGE constatar que 40% da população de Minas Gerais é preta ou parda, essa deve ser a porcentagem de vagas para negros e pardos na oferta de emprego.

Esta é uma forma de adaptar à realidade social e etnográfica o caminho do acesso ao ensino superior público no Brasil. Afinal, as instituições educacionais também devem refletir a sociedade.

. 5 Preconceitos raciais e violações nas redes sociais

Se você tem acesso ao Facebook e Twitter, você provavelmente tem acompanhado uma série de discussões e posts com conteúdo insultuoso e discriminatório. Quando estão online, muitos acreditam que estão livres de responsabilidade civil e criminal por esses atos, mas isso não é verdade. Mesmo usuários falsos podem ter seus perfis e endereços IP identificados e depois levados ao tribunal.

O caso de estigmatização racial sofrido em 2015 pela moderadora Maria Júlia Coutinho (Maju) mostra isso. A página do Facebook da National Journal foi alvo de várias mensagens de conteúdo discriminatório na época. Mais informações sobre este episódio podem ser encontradas aqui. O mesmo aconteceu com a filha do ator Bruno Gagliasso e Giovanna Ewbank (mais informações aqui). Titi foi alvo de vários comentários racistas sobre os escritórios do casal que levaram a um Serviço de Prevenção e Repressão ao Crime no Rio de Janeiro em 2016

Se você pensa de forma mais pragmática, uma das maneiras mais fáceis de lidar com o racismo é na sua vida diária Para lidar com a vida, essa é uma maneira muito simples de lidar com o racismo no Brasil.

é exercer mais simpatia pelo seu vizinho, independentemente da cor da pele ou sexo. Esta é uma maneira de olhar para a negligência e o sofrimento do outro e depois pensar sobre suas próprias atitudes.

Atenção ao racismo institucional

Você vai contratar alguém? Serviço? Verificar o histórico de crédito de um cliente? Participar de um processo de seleção profissional? Em muitas dessas situações, colocamos em prática formas diferentes de racismo institucional, mesmo sem perceber.

Vamos fazer com que os negros façam isso sem um bom motivo. Esteja ciente disso em sua vida diária para que você não cometa racismo institucional.

Um dia para combater a discriminação racial

Em 21 de março de 1960, um massacre ocorrido em Johanesburgo, capital da África do Sul, marcou a história mundial. A Organização das Nações Unidas (ONU) estabeleceu a data como uma lembrança constante da importância de erradicar qualquer forma de discriminação racial.

Cerca de 20 mil negros protestavam contra a Lei do Passe, uma norma que obrigaria a população a portar cartões de identificação. Essa passagem somente seria permitida em locais específicos, segregando as raças da África do Sul.

Ao chegarem ao bairro Shaperville, os manifestantes foram surpreendidos pelo exército, que matou 69 pessoas e deixou outras 186 feridas. O massacre de Shaperville, como ficou conhecido, serviu de inspiração para a Declaração das Nações Unidas sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial.

No primeiro artigo da declaração, está definido que deve ser reconhecida como discriminatória qualquer atividade que distinga, exclua ou dê preferências com base em cor, raça, ascendência, origem ética ou nacionalidade. Todos devem ter direito a igualdade, humanidade, liberdade e participação política, econômica, cultural e social.

Os cinco séculos de discriminação em território brasileiro ainda persistem. O país, com mais de 80 milhões de afrodescendentes, caminha para romper o preconceito racial. Ainda assim, são necessárias inúmeras políticas de inclusão e campanhas contra o racismo.

A situação da discriminação racial no Brasil

De acordo com dados do IBGE, as mulheres negras se sentem mais inseguras que outras parcelas da população. Além disso, os negros são a maioria de beneficiários do Bolsa Família. Sete em cada dez residências que recebem o auxílio são compostas por famílias negras.

Nos cargos políticos altos, a discriminação racial também se faz presente. O Brasil já teve presidentes mulatos, embora muitas vezes eles fossem retratados como brancos. Nilo Peçanha, em 1909, foi o primeiro deles. Já no Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa foi o primeiro e único presidente negro, escolhido em 2012.

Um estudo chamado Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), mostrou também que o desemprego é maior na população negra. Enquanto os brancos desempregados somam 5,3% da população, os negros representam 6,6%. Entre as mulheres, a situação é ainda pior: 9,2% brancas e mais de 12% negras.

Maioria dos analfabetos no país, chegando a 11,5% da população, os negros também recebem um salário 40% menor em relação aos brancos. Enquanto os brancos têm renda média que ultrapassa os mil reais, a da população negra nem chega a 930 reais.

Ainda é necessário muito trabalho de conscientização para mudar o preconceito racial no país. É importante que datas como essa sirvam para reflexão.

Como você faz para combater o preconceito? Como você lidou com o racismo no Brasil? Você conhece todos esses fatos que comprovam sua existência?

Conte para nós!

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